A notícia “ estou grávida” gera um período de vida onde emoções, sonhos, mitos e crenças se entrelaçam. O corpo com o seu relógio biológico, vai trazendo sinais e sintomas (amenorreia, enjoos, vómitos, tensão mamaria, alteração de pigmentação da pele, sonolência, etc...) que são únicos em cada gravidez. Não há fotocópias! Resmas de histórias “da mãe, irmã, amiga” trazem ao de cima, os desconforto, os problemas, os riscos, os cuidados a ter...enfim, ouvem-se todas as histórias, principalmente os dramas e esquecemos de contar e gozar as comédias, os romances, os trillers que cada gravidez traz consigo.

Tal como numa relação afectiva é completamente lícito a ambivalência de sentimentos: o medo, a alegria, a incerteza, amar e chorar. São dois seres, Mãe e Bebé, a construírem uma identidade. Ao Pai é deixado um papel secundário, numa sociedade onde a parentalidade é muito matriarcal. Se o projecto, o sonho, o desejo de ter um filho foi concebido a 3, então a gravidez é um jogo com uma equipa de 3 (às vezes mais, no caso, das gravidezes gemelares). Não há banco de suplentes nem jogadores secundários.

Quando pergunto a cada Mãe e Pai, nos encontros de Preparação do Parto, “qual o momento mais importante naquela gravidez?” tenho como respostas: “A notícia do teste de gravidez”, “o ouvir o coração do bebé”, “a ecografia onde vi o bebé”, “o sentir os movimentos, os pontapés do bebé”, “o ter sabido o sexo”... flaches de encontros visuais, auditivos, tácteis. Ser Pai, Ser Mãe e Ser Filho (a) não existe como um carimbo automático...conquista-se identidades através de interacções, do desejo de quem quer conhecer, explorar, descobrir, errar por si mesmo.

É necessário ter “orelhas moucas” aos comentários sociais: “ muito enjoo é sinal de bebé com cabelo!”, “Barriga bicuda é menino!” mitos e crenças povoam a conversa de café, do trabalho, do supermercado... fazem parte da nossa história cultural, afinal, estar grávida é um evento social! A fertilidade sempre foi uma festa, um ritual onde os mais próximos familiares, amigos e colegas participam na celebração da vida. Ao longo da história, artistas, pintores e escultores criaram obras de arte, símbolos da maternidade, do nascimento, da fertilidade.

Cabe a cada mãe, pai e bebé criarem o seu estilo, a sua obra de arte, um “álbum de família” onde a primeira ecografia vai lá estar!

 

Um artigo de: Maria João Alvito

Site: www.olamama.com

Fotografias: Spoil